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Fora os tênis e as sandálias, que não haviam outras, Richard evitava ao máximo usar a calcinha e a calça feminina, mas nos dias que suas roupas não secavam, ele acabava usando todo o seu kit.
- Nossa Richard! Te vendo de costas ninguém diz que você não é uma garota.
- Cala a boca Charles!
Sua mãe o chama:
- Richard, vai na padaria pra mim! Pois tenho que me arrumar para o trabalho, se não me atraso.
- Está frio lá fora e não posso sair assim!
- Vista o agasalho, vai cobrir a parte de cima da sua calça, é o que te incomoda né.
- Esqueceu que o meu casaco está molhado e nem vai secar nesse tempo chuvoso!
- Entendi, se é só isso que te impede, aguarde só um instante.
Richard sentiu aflição vendo sua mãe indo até onde estava guardada a sacola de roupas, ficando ainda mais aflito quando ela volta com a jaqueta rosa nas mãos.
- Mas... Mas mãe, isso grita feminino! É rosa choque! Não posso sair com isso!
- Não seja bobo! O que importa é aquecer, e tem um capuz, só colocar na cabeça e ninguém vai ver que é você.
Sem dar tempo para argumentos, sua mãe o vestiu no agasalho feminino, colocando o capuz felpudo em sua cabeça.
- Ount mãe, estou ridículo!
- Agora até de frente você parece uma garota! - Provocou Charles.
- E isso não é ruim, já que você não quer ser reconhecido. Agora vá depressa e me traga o troco!
Do lado de fora da casa, Richard tremia, mas não era de frio, sim por medo de que algum colega de escola o visse, contasse para todos e ele virar motivo de gozações.
Durante o trajeto, Richard puxou bem o capuz rosa e felpudo e andava com a cabeça baixa, olhando para as sandálias de lacinho e sentindo o tecido delicado e frio da calcinha, com a calça apertada modelando suas pernas.
Chegando na padaria, ele viu o jovem atendente no balcão, devia ser no máximo três anos mais velho que ele.
- Oi moça! Em que posso ajudar?
Moça? Richard engoliu seco e seu coração disparou, o rapaz o confundiu com uma garota.
- Vou... Vou querer os pães amanhecidos.
Em segundos o rapaz volta com o saco de pães.
- Peguei os pães fresquinhos que acabaram de sair!
- Mas esses são o dobro do preço...
- Não se preocupe! Eu coloquei a etiqueta dos de ontem, não conte para ninguém!
- Obrigada! - Disse baixinho.
- Fiz isso para você virar cliente, assim posso te ver todos os dias.
Richard corou e apertou o saco de pães.
- Meu nome é André, posso saber o seu?
Sem saber como reagir, timidamente ele disse seu nome completo.
- É Richard Sasha.
- Nome diferente.
- Meus avós são de origem eslava.
- Foi um prazer te conhecer Sasha! Volte sempre!
Com o rosto em chamas, Richard voltou para casa em passos rápidos, sem acreditar que o jovem atendente pensou que ele era uma garota e ainda flertou com ele.
Chegando em casa, é recebido por Charles:
- Então irmãzinha, chamando a atenção dos garotos por aí?
- Ora, cale a boca!
Richard ficou mais bravo com o seu irmão do que o normal, pois sem saber ele acabou dizendo a verdade.
- Pães frescos e quentinhos? Como? - Perguntou sua mãe.
- Eu pedi os amanhecidos, mas o atendente deu os de hoje pelo mesmo preço.
- Que gentileza! Quem te atendeu? O André?
- É... Acho que sim.
- Ah, então está explicado.
- Como assim mãe? O André sempre dá descontos? - Perguntou Charles.
- Só para garotas bonitas, pelo menos que ele ache muito bonitas.
Ao ouvir isso, Charles quase engasgou de gargalhar.
- Foi realmente como eu disse Richard, o atendente pensou que você fosse uma garota, e te achou bonita! - Disse rindo.
O rosto de Richard ficou vermelho, ele se encolheu de vergonha, mandando Charles se calar.
- Ora Richard, veja pelo lado bom, melhor assim, ou preferia que te reconhecessem.
Richard pensou nisso, poderia ser mais constrangedor ser reconhecido como um cara com àquelas roupas.
Mesmo após sua mãe ter ido trabalhar, Richard se manteve com a jaqueta rosa, pois estava frio e a casa não tinha aquecimento. Se olhando diante do espelho, ele ficou inconformado por ter passado por uma garota só por causa das roupas.
Sua falta de atributos masculinos contribuía para isso, não tinhas pelos visíveis, pele clara e macia, voz suave e corpo magro e sem músculos aparentes.
No dia seguinte, Richard acordou com a chuva forte, logo ele pensou nas roupas, que estavam encharcadas novamente, após a chuva o calor voltou, estava nublado e bem abafado, mas não foi o suficiente para secar suas roupas, fora a jaqueta, ele teve que se manter com as mesmas roupas.
Quando Lucy chegou em casa após um dia exaustivo de trabalho, sentiu alívio vendo a casa toda arrumada e limpa, indo até a cozinha, sorriu vendo a figura feminina terminando de preparar o jantar.
- Obrigado Richard, por ser um filho tão bom e compreensível.
Richard corou com os elogios.
- A mamãe tem orgulho de você!
Emocionada, Lucy deu um abraço apertado em Richard, que a princípio achou estranho, pois ela não costumava ser tão carinhosa, mas depois ele se aconchegou nos braços da mãe, foi motivador para ele ser reconhecido por todo seu esforço.
- Pode ir tomar um banho, deixa que eu termino de preparar o jantar!
Ainda com o ego inflado, Richard tomou seu limitado banho quente, não podia ficar muito tempo para não aumentar a conta. Ao sair do banho não viu suas roupas, preocupado e vestindo apenas a calcinha, chamou Lucy:
- Mãe! Cadê minhas roupas?
- Hoje está calor para ficar de calça jeans filho.
- Mas qual opção eu tenho se as outras roupas estão molhadas?
- Na verdade tem algo confortável para você dormir!
- Por favor! Não diga que pegou da sacola!
- Mas eu peguei, veja como são leves e confortáveis.
- Isso não dá mãe! Isso é demais! Pijaminha da Hello Kitty não! Pega outra coisa!
- Se não for esse pijaminha, tem uma camisola de seda, ou dormir só de calcinha, aí é você que escolhe!
Resignado ele pega o shortinho e a blusinha do pijama com as pontas dos dedos, como se mordessem, vestindo o shortinho rosa da Hello Kitty, viu como era curtinho, terminava bem no alto das coxas, depois deixou cair a blusinha tão leve como uma fronha, pendurada em alças finas sobre seus ombros, com a estampa da Hello Kitty na frente, puxando bem para não expor sua barriga.
- Ount mãe! Não quero ficar vestido assim!
- Desculpa, mas é o que tem pra vestir, e é só pra dormir, amanhã de manhã você já tira! Agora vamos jantar!
- Posso comer no quarto hoje?
- Nunca permiti isso, não vai ser hoje né, poderia até deixar por você ser tão bom filho, mas aí Charles ia querer também e assim começa a bagunça, então não.
Pressionado pela mãe, ele foi até a sala de jantar, se sentindo seminu com o pijaminha tão leve, preocupado com o shortinho, temendo que estivesse marcando a calcinha.
Vendo Charles sentado ficando surpreso ao vê-lo, suas pernas estreceram.
- Nossa! Que fofa no conjutinho da Hello Kitty.
Sua vergonha era tanta que nem teve atitude para retrucar o irmão.
- Pode sentar Richard, vou servir você hoje.
- E eu mãe?
- Bom Charles, Richard preparou o jantar e ele merece, então vá se servir!
Durante o jantar, Lucy notou que Richard estava cozinhando cada vez melhor.
- O jantar está uma delícia, parabéns Richard!
- Verdade mãe, minha irmãzinha é uma ótima cozinheira!
- Para Charles! - Disse Richard envergonhado.
Após o jantar, eles foram assistir um filme, sua mãe se aproximou de Richard e deixou ele deitar a cabeça em seu colo, e ficou passando a mão em seus cabelos, era algo incomum, mas agradável. Richard se sentiu mais próximo da mãe.
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