Tempos difíceis - Parte 7
Richard ficou mais dois dias usando o shortinho jeans e a blusinha de corte francês, mesmo com Lucy pressionando para trocar, não por estar gostando, mas para evitar outra roupa feminina.
Uma nova frente fria chegou e ele teve que vestir novamente a calça jeans de cintura alta e o agasalho rosa, fazendo Richard lembrar do dia que foi confundido com uma garota pelo funcionário da padaria.
Na hora de dormir, foi surpreendido com o novo pijama de cetim rosa com corações.
O toque do cetim contra a pele era algo novo para ele.
- Oun mãe! Me sinto ridículo.
- Esse pijama é para os dias frios, é bem leve e confortável, você vai gostar!
Já havia passado cinco dias desde o início das férias, seu irmão mais novo todos os dias ia jogar futebol e Richard não saia de casa por motivo óbvio. Apesar de Charles zombar de Richard em casa, ele manteve toda essa situação das roupas em segredo.
- E ae Charles! Seu irmão não vai tentar mais jogar?
- Pois é, ele está gripado e vocês só deixavam ele de goleiro ou reserva.
- Na verdade futebol não é o esporte dele, você joga muito melhor do que ele.
Charles sabia muito bem que seu irmão não estava gripado e sim desempenhando os trabalhos domésticos em suas roupas fofas.
No dia seguinte, Richard acordou cedo, já tirando o seu pijama de corações, mas não viu sua calça jeans de cintura alta.
- Mãe! Cadê a calça?
- Eu coloquei pra lavar, senão você fica usando ela até apodrecer. Pega a outra calça!
- Mas só tem a rosa aqui!
- É essa mesmo!
Richard ofegou:
- Essa calça não dá pra usar, isso é demais até pra mim mãe!
- Está frio! Vai ficar de calça sim!
Com desgosto e usando apenas a calcinha amarela com babados e lacinhos, Richard pegou a calça, ele estava relutante, pois a calça era legging e rosa.
- Espera Richard! Você não pode usar calça legging com essa calcinha, vai marcar tudo! Espere um pouco!
Richard ficou apreensivo, pois a calcinha vermelha ficou de molho junto com a calça jeans.
- Aqui Richard, vista essa calcinha que não vai marcar!
Richard corou e suas mãos tremeram ao pegar a calcinha minúscula.
- Mas... Mas mãe! Essa calcinha aqui... Essa sim é fio dental!
- Sim, é uma tanga, mas não fique envergonhado com o pensamento de usar as calcinhas da mãe, pois essa eu nunca usei, é muito pequena pra mim.
Muito constrangido, Richard vestiu a minúscula calcinha preta, sentindo a tira fina de tecido se aprofundando entre suas nádegas até não poder ser vista, o espaço na frente também era pequeno, tendo que acomodar com cuidado suas partes íntimas.
Ele vestiu novamente a blusinha com mangas de babados e ajuste de cordões nas costas. Enfim vestiu a calça legging, sentindo a pressão do tecido justo nas pernas e na bunda, apertando tudo da cintura para baixo.
Ao se ver no espelho sentiu calafrios, junto com a blusinha com ajuste tipo espartilho, a calça legging rosa modelava suas pernas, deixando seu corpo com uma aparência de garota atraente. Ao se ver na parte de trás, entendeu o motivo de precisar de uma calcinha fio dental.
Ele rapidamente pegou e vestiu o agasalho para se sentir menos exposto.
Lucy achou que as roupas ficaram super fofas no filho, pôs uma mão na boca ao vê-lo, mas tentou agir de forma mais natural possível para não intimadar o garoto ainda mais.
- Ok, eu preciso me arrumar para o trabalho, você vai na padaria hoje.
- Mas mãe? Era para o Charles ter ido!
- Ele teve que sair cedo para o treino do time hoje, não deu tempo.
- Como vou sair vestido assim?
- Ah Richard, você já foi na padaria com essa blusa.
- Mas não com essa calça, ela mostra de mais!
- Essa desculpa não serve, pois você está com a blusa que vai te cobrir, então vá lago antes que acabem os pães amanhecidos e fiquemos com fome.
Quase preferindo ficar com fome do que sair, Richard puxou o zíper e colocou o capuz do agasalho, escondendo ao máximo seu rosto entre as bordas felpudas.
Sair de casa foi ainda mais desafiador do que a última vez, uma roupa toda rosa chama a atenção de qualquer um. A cada passo que dava Richard sentia não só a calcinha enfiada, mas também a calça que fazia suas nádegas balançarem individualmente.
Antes de entrar na padaria, Richard repetia mentalmente:
- Que não seja ele, que não seja ele...
Mas ao entrar na padaria, André estava lá e sorriu ao vê-lo.
- Sasha! Como é bom ver você aqui novamente!
Olhando para baixo e com voz mansa, Richard disse:
- Oi André, gostaria dos pães amanhecidos.
- Oh! Obrigado - Disse Richard corado.
- Espera que tem mais uma coisinha!
André pegou um pedaço de pudim e serviu Richard, o deixando constrangido.
- Experimenta! Fui eu mesmo quem fez!
- Mas você já me deu os pães, se seu chefe descobrir...
André começou a rir.
- O dono dessa rede de padarias é meu pai, ele me faz trabalhar aqui dizendo que eu devo saber tudo sobre padarias, para quando eu herdar tudo saber administrar. Coisas de pai.
Surpreso com a informação, Richard provou um pedaço do pudim, ao sentir o sabor seus olhos brilharam, desde a morte do pai e da consequente crise financeira, raramente eles comiam alguma sobremesa.
- Então? O que achou?
- Está delicioso! É a melhor coisa que comi esse ano!
Os dois sentiram seus rostos esquentarem.
- Muito obrigado! Fico muito feliz por você ter gostado tanto.
Para sair do clima estranho, Richard mudou de assunto.
- Mesmo você sendo rico, parece feliz em trabalhar aqui.
- Eu não sou rico! Meu pai me paga o salário padrão de padeiro, tudo bem que ele me deu meu carro e minha moto, me levava para Disney nas férias escolares... Tudo bem, sempre tive tudo o que quis, mas não sou mesquinho.
- Você tem moto? Legal.
- Você gosta de motos? Posso te levar para dar uma volta, é só combinar, e a propósito, você pode me passar seu telefone?
Richard sentiu cólicas ao ouvir o convite e o pedido de André, achando que tudo isso estava indo longe demais, quase confessa que é um garoto, mas concluiu que seria ainda mais vergonhoso.
- Eu... Eu não tenho celular...
- Oh que pena! Mas a gente vai se vendo, espero que você não demore tanto para voltar.
- Tchau André, obrigado!
Vendo Richard indo embora, André disse em voz alta:
- Sasha! Vou deixar um pedaço de pudim guardado pra você!
Richard quase se desequilibrou, apenas parou por um momento, mas a vergonha não o deixou olhar para trás e seguiu em frente.
Enquanto isso, André apertava sua mão contra o peito, sentindo o coração batendo forte pensou:
- Com tantas garotas que eu atendo aqui, porque só essa me deixou desse jeito?
No caminho para casa, Richard não parava de pensar em tudo que havia acabado de acontecer:
- Nossa! Como pode esse cara pensar que sou uma garota? E ainda tenta me agradar com pães fresquinhos e pudim! Foi uma covardia, pois adoro pudim e faz muito tempo que não comia, mas eu não precisava me derreter por isso, tambem vacilei.
Ao chegar na rua de casa, observou atentamente se não tinha ninguém por perto, se houvesse, ele passaria direto do portão de sua casa e daria uma volta no quarteirão, como não viu ninguém entrou apressadamente em sua casa, mas levou um grande susto com a voz que disse:
- Ai gente! Mas que coisinha mais fofa! Está uma gracinha!
Era a voz de Ani, a garota mais bonita que ele conhecia estava sentada no sofá de sua casa, com o seu sorriso encantador e surpresa em vê-lo de um modo que ele tanto evitou ser visto.
Suas pernas estremeceram, seu coração acelerou, sua visão ficou turva por um instante, o saco de pães caiu, a única reação que Richard teve foi correr até o quarto.
Richard se jogou na cama, ele deveria chorar, mas o choque e a vergonha era tal que seu corpo esqueceu disso.
Continua em Tempos difíceis - Parte 8












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